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13 de junho de 2021

Para mais tarde recordar

O recital do Agrupamento:

 

Aniversário da morte de Eugénio de Andrade


                              Data do Nascimento:19/01/1923

Data da Morte
13/06/2005 (aos 82 anos)

As Palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

28 de maio de 2021

Poesias - Ortónimo


SINOPSE

Metas Curriculares de Português
Leitura obrigatória para o 9 e 12.º anos de escolaridade.


«O que dizer sobre o poeta mais genial da língua portuguesa? Deixemos que seja o próprio a fazê-lo:
Se estou só, quero não ‘star,
Se não ‘stou, quero ‘star só.
Enfim, quero sempre estar
Da maneira que não estou.»

Fonte

 

25 de maio de 2021

𝓞 𝓶𝓮𝓷𝓲𝓷𝓸 𝓭𝓪 𝓼𝓾𝓪 𝓶ã𝓮

Fernando Pessoa
Fonte da imagem

No plaino abandonado

Que a morna brisa aquece,

De balas traspassado

– Duas, de lado a lado –,

Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.

De braços estendidos,

Alvo, louro, exangue,

Fita com olhar langue

E cego os céus perdidos.

Tão jovem! que jovem era!

(Agora que idade tem?)

Filho único, a mãe lhe dera

Um nome e o mantivera:

«O menino da sua mãe».

Caiu-lhe da algibeira

A cigarreira breve.

Dera-lhe a mãe. Está inteira

E boa a cigarreira.

Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada

Ponta a roçar o solo,

A brancura embainhada

De um lenço… Deu-lho a criada

Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:

«Que volte cedo, e bem!»

(Malhas que o Império tece!)

Jaz morto, e apodrece,

O menino da sua mãe.


Fernando Pessoa, Cancioneiro, in Fernando Pessoa. Obra Poética em um volume,

Editora Nova Arguilar, S.A. Rio de Janeiro, 1986

3 de maio de 2021

O Alfabeto dos Bichos


Plano Nacional de Leitura

Livro recomendado para o 1º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma.


Através de rimas divertidas, José Jorge Letria dá-nos a conhecer muitos animais, provenientes dos mais diversos meios. As ilustrações de André Letria contribuem para fazer deste livro um objecto de descoberta para além do texto. Um livro que convida a criança a entrar no mundo animal de forma didáctica.

EXCERTOS

"Foca

Seja no mar ou na terra

É alegre e brincalhona

E quando adormece ao sol

Às vezes até ressona;

Não tem perdão quem a caça

Pois é espécie protegia

Come peixe, ama as ondas

E lá vai à sua vida."

Fonte 


1 de maio de 2021

O que eu quero ser...


SINOPSE

Plano Nacional de Leitura

Livro recomendado para o 1º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada.

«Em versos musicais e criativos, José Jorge Letria homenageia neste livro um conjunto de profissões que muitas crianças têm no seu horizonte. É um livro que dá aos leitores mais pequenos um mundo de ofícios que querem conhecer.

Veterinário, músico, ator, bibliotecário, poeta… são aqui apresentados com a imaginação, sensibilidade e mestria que tão bem caraterizam a obra infantil de José Jorge Letria.

O que eu quero ser… foi escrito para os mais novos, mas também para os pais e educadores que partilham com as crianças todos os sonhos e histórias reais que cabem na vida.»

 

27 de abril de 2021

𝐐𝐮𝐞 𝐩𝐚í𝐬 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐭𝐫ó𝐢𝐬?


Porque tens nos olhos

o sol

e o mar…

Porque tens nos olhos

o rio

e também:

o riso

e o fogo

Porque tens no ventre

a raiz de todas

as crianças…

que país constróis

diariamente?

Maria Teresa Horta, Mulheres de Abril, Editorial Caminho, Lisboa, 1977.

𝐎𝐮𝐯𝐢𝐧𝐝𝐨 𝐁𝐞𝐞𝐭𝐡𝐨𝐯𝐞𝐧

José Saramago 
Fonte da imagem

Venham leis e homens de balanças,

mandamentos d’aquém e além mundo.

Venham ordens, decretos e vinganças,

desça em nós o juiz até ao fundo.

Nos cruzamentos todos da cidade

a luz vermelha brilhe inquisidora,

risquem no chão os dentes da vaidade

e mandem que os lavemos a vassoura.

A quantas mãos existam peçam dedos

para sujar nas fichas dos arquivos.

Não respeitem mistérios nem segredos

que é natural os homens serem esquivos.

Ponham livros de ponto em toda a parte,

relógios a marcar a hora exacta.

Não aceitem nem queiram outra arte

que a proeza do registo, o verso acta.

Mas quando nos julgarem bem seguros,

cercados de bastões e fortalezas,

hão-de ruir em estrondo os altos muros

e chegará o dia das surpresas.


José Saramago, Poemas Possíveis, Portugália, Lisboa, 1966.

24 de abril de 2021

𝗢 𝗴𝗿𝗶𝘁𝗼 𝗰𝗹𝗮𝗿𝗼

De escadas insubmissas

de fechaduras alerta

de chaves submersas

e roucos subterrâneos

onde a esperança enlouqueceu

de notas dissonantes

dum grito de loucura

de toda a matéria escura

sufocada e contraída

nasce o grito claro.

António Ramos Rosa, Não posso adiar o coração, Col. Sagitário, Plátano Editora, 1974,

(Obra poética de António Ramos Rosa, 1958-1973).

“Bichos de abril”

in “Bichos de abril”, de Carlos Pinhão (Caminho)


 

8 de abril de 2021

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